love kills?

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

chuva de vento

e dias frios são tão mais bonitos, mesmo que ninguém explique o por quê. e lá vem a chuva fina me triscando de leve na varanda, como um estupro consentido. a tristeza é tão bonita quando sabemos que não ganhamos nada com isso, apenas dor (que tanto brilha em seu disfarce de aprendizado). olho as pessoas em volta correndo com jornais e sacolas na cabeça, enquanto as crianças permanecem na rua e se divertem sem o peso horrível do amanhã nas costas. sem pressa, sem mágoa, sem planos, sem fardos. bolhas de sabão sem água e sabão, apenas alegria no ar fazendo pose de mestre de cerimônias. e aí estão os detalhes perigosos dos quais não posso escapar. o contraste chega a ser violento, esse da alegria mundo afora e minha saudade. aqui está o vento gelado me fazendo sentir sua falta da janela. e a lágrima que eu não deixo cair por puro prazer em lutar contra ela mesmo sabendo que eu já perdi a briga há muito tempo. o casaco de couro mais grosso do armário que não esquenta como aquele abraço, ah aquele abraço... cheiro da garoa de São Paulo. letras borradas de chuva e lágrimas no papel. o mesmo papel amassado na lixeira do banheiro, fazendo companhia ao filtro do cigarro que eu nem fumei, apenas segurei esperando a chuva passar. esperando o telefone tocar. e esperando você chegar.