love kills?

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quinta-feira, 3 de março de 2011

a forca

Fiz um texto sem data dedicado à você
que mais fala de quem eu era antes disso
e o que me tornei após a forca que me preparou

Tudo que eu quis gritar ao mundo nos últimos vinte anos
estava escrito em letras tão grandes, quase do  tamanho de minha pretensão
em um outdoor que só eu podia enxergar
quantas vezes apontei pra ele em vão?

Mas eu sei que não chegou nem na metade
minha missão é chegar neste lugar
por alguma ocupação que Deus ainda não se importou em dizer


enxergando amor aonde só haviam dúvidas,
e dando tchau de longe por não ter coragem de dizer 'não quero mais'
me peguei perguntando 'por quanto tempo mais será assim?'
chantageando o tempo em nome de uma adolescência bem vivida,
que se algemou a mim e não quis seguir pro próximo  passo

Minha rebeldia sempre me abandona no meio da noite
e me deixa com cara de boba na mesa
enquanto mamãe e papai anunciam que já é hora de partir
e seguir um caminho que me espera sentado
Talvez eu seja a mistura patética da dedicação com a indiferença
ao acreditar em todo mundo que me engana,
por não querer me machucar enquanto estiver me divertindo

Assobiei pras pessoas erradas, e talvez esteja desprezando as certas
só pra esse jogo não acabar, mas ficou chato e eu não admiti
que estava ali o tempo todo, tentando sentir o cheiro do mar
viajando pra fugir do risco de ainda ter muito tempo de vida


Escrevendo o que nunca será lido por quem realmente importa,
dizer a cada trecho de cada beco e esgoto que andei percorrendo
que talvez eu já saiba onde é o meu lugar,
e talvez esteja apenas com medo de não saber como agir
é como zerar um jogo e depois não conseguir passar da primeira fase

Poses de mau não me enganam mais,
todo mundo gosta de alguém,
assim como eu gosto de você
e veja só, estou me abrindo pela primeira vez

Só porque o Sol não aparece à noite não quer dizer que ele não esteja lá

aprendi isso quando notei que seu cheiro continua em mim