love kills?

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

não é só os dias que passam

ao escutar a introdução daquela música ainda bate certo arrepio.
mas só porque em cada lágrima mora um pedaço do Destino
não quer dizer que estamos interligados
por um dia termos chorado pelo mesmo motivo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

se eu tivesse um diário, essa seria a página aberta


foi como se tivesse sido a primeira vez que acordei em casa.
e o café com leite tinha gosto de café com leite, e não de halls com álcool. foi fácil levantar e trabalhar, até na abstinência de cigarro (que não durou muito, é claro). e senti paz no banho demorado, assim como na voz da minha mãe assistindo um filme ruim, tão ruim que se torna engraçado. e sentei ao lado dela como se tivesse sido a primeira vez. e ri junto daquela risada, também como se tivesse sido pela primeira vez. e tomei uma breja com ela, que claro, isso não fora a primeira vez. cheguei a um fim de noite escutando os grilos, e não o som do carro de alguém. me perguntei o que seria certo fazer nesta cidade, coisa que antes, não considerei. e não deixei meus amigos tagarelarem, porque pela primeira vez, eu simplesmente não estive com nenhum deles. andei dizendo verdades que me levaram a uma escolha definitiva. tentei escrever e não consegui. colaborei com a saúde e escolhi um livro à uma noite virada. e meus rabiscos ainda existem porque me afastam do mundo ao me aproximar do que preciso. porque eu tive a bizarra sensação de me pegar feliz ao estar triste. e descobri em certas letras uma razão boa, um sentido. por que eu teria uma tv ou um videogame que não vou usar? me distraio com sentimentos e palavras, é clichê, brega e emo, mas é a única forma que aprendi me prender. e passo grande parte do tempo pensando, lendo e escrevendo sobre o que vejo lá fora, mas só me conheço assim, no introspecto. por que perderia novas noites frias no sereno, sendo que em grande parte delas eu penso 'por que não sou uma pessoa normal que deita cedo na própria cama?'?. e através da sensação estranha de como se fosse a primeira vez, deitei cedo, na minha própria cama, ao lado dos meus incensos  e me senti bem. sem galeras, sem bar, sem torcida, sem malícia de desconhecidos e sem bêbados por todos os lados. sem rolê, sem papos intermináveis, sem risadas no portão. sem álcool. só eu, minha escrotidão e meu cigarro. trio imbatível.
um dia unicamente meu,
um dia que eu não fui minha.
e tem tudo pra ser um dos melhores dias.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

piloto automático

é engraçado... a gente brinca com fogo e fica puto com as queimaduras.
a gente bem que pensa que se conhece bem,
que só agimos como queremos depois de alguns goles ou de uma loucura daquelas que ninguém se orgulha no dia seguinte, só pra usar o álcool como desculpa.

o fato é que a gente não tem peito pra ter decência e dignidade,
mas reivindicamos dos outros como se tivéssemos de sobra.

nós vivemos no piloto automático, programados a fingir bem que sabemos viver.
somos obrigados a vender a imagem de força e autossuficiência,
num mundo em que ninguém é de ninguém.

a gente não entende o que é amar se não aprende antes e durante o que é sofrer.
a gente pensa que sabe o que faz, e que sabe o que faz quando não faz nada a respeito.
a gente escorrega no vazio e se acha tão intenso, caídos ao chão,
bebendo solidão e vomitando orgulho.
 
deixamos o tempo correr e com isso, impedimos a lágrima de correr pelo rosto.
qualquer um é capaz de assassinar o choro,
mas quem foi capaz de destruir um sentimento vivo?

perdi a brincadeira sentindo o gostinho da vitória na boca. perdi muito tempo cultivando ilusões que divertem e ferem na mesma intensidade, e alto lá, nem toda ilusão se trata de romantismo!

às vezes nossa forma de ver o mundo mais nos afasta do que aproxima dele. às vezes nós gostamos de parecer inatingíveis e inconquistáveis, e nessa caminhada incerta perdemos tantos grandes momentos.

por muito tempo me equilibrei no arame farpado, fingindo acreditar no que não me comove de fato, e só agora entendo que o que me emociona mora em braços, e não em palavras. e que às vezes o que parece ser a escolha errada para o resto do mundo é a única saída válida para o meu mundo. 
se eu quisesse viver de aprovações, não faria nada que faço de coração.
então não faria sentido viver.

o preço da felicidade se chama risco.
e a gente só perde felicidade quando tem medo de ser feliz.

quantos de nós chegam ao ponto de simplesmente não querer mais nada?
a resposta mora em sorrisos, aqueles fortes o bastante para vencer todas as lágrimas já derramadas pelo mesmo motivo.

sábado, 25 de junho de 2011


coisa mais estranha, isso
é como suportar a todos, mas nutrir um ódio bizarro por ti
é como nunca gostar de nada,
nunca gostar de ninguém,
e gostar de você,
logo de você..
só de você!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

pela última vez

a pior dor de todas sempre foi e sempre vai ser a decepção.
por sorte, 
é o tipo de ferimento contínuo que
um belo dia 
a gente simplesmente
se cansa de sentir.
cansei pela última vez.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

aos verdadeiros!

um brinde aos grandes amigos, verdadeira mistura de colos, ombros, gargalhadas e lágrimas. a verdadeira tradução da palavra amor puro. aos que tocam Legião no violão. aos que aceitam minhas decisões (e a falta delas). aos ambientes de fumaça dançante e copos suspeitos. um brinde aos verdadeiros! aos que se embriagam na Augusta e ligam pra contar algo engraçado que acabou de acontecer. aos que telefonam de madrugada do boteco barulhento. aos que falam 'Porra, Ellen, vai se foder'. dou valor a isso. aos que adoram Ramones. aos que vestem o manto do São Paulo. aos que se perdem aí nas ruas de Brasília. aos moicanos, suspensórios, coturnos e aos que não dão importância ao vizu. aos que defendem a liberdade sexual. aos que cativam por sua essência simples. aos que oferecem cama, edredom e breja. aos amigos de infância. aos que se aproximam sem segundas, terceiras e quartas intenções. aos autênticos. aos frágeis e sensíveis. aos que me estendem a mão mesmo quando não peço. aos que me tiram de casa. e aos que me levam de volta. aos que animam qualquer rolê. aos que respeitam meu silêncio. aos que entendem meus versos. ao veneno sadio que se chama família. às vozes amigas que não julgam. aos que não me impedem de dizer a verdade que dói. aos que me dizem a verdade que dói. aos que riem do meu jeito de amar. aos que não se metem no que não deviam mesmo se meter. aos que sofrem comigo. aos que me permitem sofrer junto deles. peças do mesmo quebra-cabeças. vidas que tinham que se encontrar. é só o que posso oferecer, tudo que tenho.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

a little piece of hell

o apelo
me dê a mão! tire essa maldição de mim, de ser essa condenada a parar no meio do caminho! eterna hóspede daqui de cima do muro...
resgate
me dê uns bons tapas na cara, grite comigo o mais alto que puder, me sacuda como saco de lixo e mande o encosto ruim ir embora antes que tome posse do resto.
agora só você tem esse poder em mãos.
o preço dos poemas
me ajude a acreditar nas coisas boas da vida. eu era tão boa nisso. e enferrujei.
me ajude a tomar rumo, a quebrar esse peso em partes menores, porque eu não consigo mais.
aquelas palavras criaram vida própria. parece um aborto ao contrário.
espelho
cansei de repente, de tudo isso que é tão a minha cara. de sair sem dizer onde ir. e de chegar na hora do almoço enjoada demais pra almoçar. desse esmalte vermelho que se enxerga de longe, e até do cigarro a dois dedos da boca. enjoei do gosto, que  só me lembra músicas tristes.
gêmeos
cansei de um lado meu se achar muito melhor do que o outro.
tem como arrancar isso de mim? se tiver, arranque, por favor.
fragmentos
me ajuda a me desvencilhar dessa corrente, eu prometo que até me viro do avesso pra compensar os erros. e se eu fosse parar pra te explicar, você acabaria por aqui também.
súplica
é que meu inferno sempre foi particular demais, de vez em quando até eu sou barrada.
tentei derramar lágrimas que não queriam cair, foi preciso forçar.
entenda, às vezes é preciso ser masoquista, quebrar o gelo criado por si mesmo.
eu andei dizendo que não, mas agora sou capaz de gritar que SIM, SIM, SIM,
EU  PRE-CI-SO  DE AJUDA!!!!
o mundo aqui fora
me ajuda a saltar de uma ponte, se for preciso. corro qualquer risco.
apenas entenda que nenhuma música foi capaz de ser trilha daquele momento, parecia um quadro de natureza morta. eu estava feliz como nunca, mas era como se eu não estivesse lá.
a esquina
vamos cavar um buraco até um beco qualquer, mas não me deixa mais aqui. todo mundo está sendo legal demais, eu sei. mas veja, estão todos tapando buracos que eu sei que não sou capaz de esconder.
não vou mentir, eu tenho sim, me divertido. tudo tem seus dois lados.
mas a felicidade aponta para a luz que parece ser a maior furada.
uma esquina com cara de quarto.
flertando o pecado
sim, é claro que estamos vivendo intensamente, aproveitando bons papos e absorvendo energias, mas o muro não é grande o suficiente para todos.
uma hora a dúvida nos derruba na pressa e acabamos caindo pro lado errado.
e todos morrem sozinhos.
meios
me ajuda a voltar a acreditar na felicidade eterna, porque sabe, essa diversão gratuita tá me matando. minhas virtudes estão flertando novamente com o caos, e se eu cair nessa de novo, nada mais será capaz de me resgatar.
o que já sabia que deveria fazer
me dá a mão e me tira desses extremos, porque eles sempre acabam me seduzindo.
e por favor me leva a um lugar simples e frio, com algumas velas e livros, e nem precisa me dizer absolutamente nada, só o que quero é um abrigo.
o Destino também sabe bater portas na cara
eu posso te ensinar a entrar a tempo.
os meses se tornaram uma oração
estranhar o que te peço não é atitude sua.
tenho por mim que entenderá de primeira sem precisar de códigos ensaiados.
o meu defeito é que eu não pergunto a ninguém o que fazer, eu faço e seja o que Deus quiser.
seu defeito é ser como eu, de uma forma mais civilizada.
tenha piedade desta pobre alma que agora descansa em tuas mãos.
não elogie essa suposta força que não tenho, mas por favor, me elogie por não sucumbir a tentações vulgares.
não superestime os sorrisos que viu, eles não dançam com a verdade.
me conheces com ou sem a máscara
a gente só se conhece na hora da dor. na alegria e na euforia, ninguém é capaz de olhar pra dentro. é humanamente impossível.
o lado de fora mente, o lado de dentro machuca. difícil escolha.
duas vidas cruzadas, dois caminhos diferentes
mas pode deixar essa garrafa longe de mim, álcool nenhum é capaz de preencher esse vazio.
esse vazio tem nome, o seu nome.
um pequeno pedaço do inferno em mim.
sim, eu sei, ninguém abaixa o volume enquanto todos estão dançando.
talvez por isso minha sentença seja permanecer aqui pra sempre.

alfabeto M

você me conhece tão bem
que até me surpreende
que ainda acredite em mim

sábado, 18 de junho de 2011

o último

(dedicado a você, que sempre acreditou no mesmo que eu)

'Faça com os outros o que gostariam que fizessem por você' eu digo. 'Se não for pra ser assim, não faça porra nenhuma' yuri diz. pra ver como as coisas são, eu sempre acreditei que até o mal se paga com o bem. errei feio. 'é bom que as pessoas saibam o quanto valem' e mais uma vez, a voz sábia: 'só valem se fizerem o mesmo por você'. pura verdade.
hoje eu, ellen, venho contradizer todos os meus atos (não valem de nada. nunca valeram).
podem agir como eu, mas adianto: estrada perigosa, poucos sobrevivem sãos.
aconselho o mais fácil e descartável, dá certo pra qualquer um. se queres ser feliz, escute bem:
não fraqueje. se quiser realmente dizer algo a alguém, não diga. se sentir necessidade de cometer uma loucura, gritar pro mundo, largar tudo, não o faça. deixe pra lá! não chore. ninguém merece isso. ninguém vale a pena. ninguém vai estar lá quando você precisar de fato. estarão mais preocupados com as próprias necessidades. não se importarão com o que te atinge. não pensarão duas vezes em te machucar. não agradecerão o teu esforço. não valem o que defecam. não se envolvem com ninguém que preste. são todos animais, carentes, infantis, egoístas, superficiais, autopiedosos, orgulhosos, exibicionistas e insignificantes. não farão falta na sua vida. não valorize o que não te valoriza. não peça perdão após uma ofensa. não deixe de fazer o que quer. não deixe de ser quem és. não finja que está tudo bem. não perdoe! não corra atrás de quem espera que você corra. não perca tempo com o vazio. não gaste palavras ou se deixe usar por quem nem entende o que não sai da própria boca. e fica a dica: não escute o coração, ele sempre se engana!
quando encontrar, e APENAS quando encontrar poucas exceções, raríssimas, essas sim serão dignas de se exibir. você saberá quem são, pois elas agem exatamente ao contrário e são o oposto do que citei. até lá, faça de cada um o que realmente são: apenas mais um e nada mais.
as exceções pularão tua janela mesmo quando você não merecer nenhuma cena de filme. e te dedicarão músicas bonitas. elas te surpreenderão com palavras amigas quando menos esperar. são elas que valorizam mais os sorrisos que você plantou nelas do que as lágrimas. as exceções não podem ser caçadas e conquistadas. você não as encontra, elas te encontram. elas vão ao seu mundo quando mais precisar e menos esperar. não há como prendê-las. nem como entendê-las. mas são seus gestos que farão de ti quem deve ser.
é a única coisa que vale a pena. ser amado mesmo quando não se merece.

referência



Fernando Henrique Cardoso - 80 anos sendo um verdadeiro mestre!