a gente bem que pensa que se conhece bem,
que só agimos como queremos depois de alguns goles ou de uma loucura daquelas que ninguém se orgulha no dia seguinte, só pra usar o álcool como desculpa.
o fato é que a gente não tem peito pra ter decência e dignidade,
mas reivindicamos dos outros como se tivéssemos de sobra.
nós vivemos no piloto automático, programados a fingir bem que sabemos viver.
somos obrigados a vender a imagem de força e autossuficiência,
num mundo em que ninguém é de ninguém.
a gente não entende o que é amar se não aprende antes e durante o que é sofrer.
a gente pensa que sabe o que faz, e que sabe o que faz quando não faz nada a respeito.
a gente escorrega no vazio e se acha tão intenso, caídos ao chão,
bebendo solidão e vomitando orgulho.
deixamos o tempo correr e com isso, impedimos a lágrima de correr pelo rosto.
qualquer um é capaz de assassinar o choro,
mas quem foi capaz de destruir um sentimento vivo?
perdi a brincadeira sentindo o gostinho da vitória na boca. perdi muito tempo cultivando ilusões que divertem e ferem na mesma intensidade, e alto lá, nem toda ilusão se trata de romantismo!
às vezes nossa forma de ver o mundo mais nos afasta do que aproxima dele. às vezes nós gostamos de parecer inatingíveis e inconquistáveis, e nessa caminhada incerta perdemos tantos grandes momentos.
por muito tempo me equilibrei no arame farpado, fingindo acreditar no que não me comove de fato, e só agora entendo que o que me emociona mora em braços, e não em palavras. e que às vezes o que parece ser a escolha errada para o resto do mundo é a única saída válida para o meu mundo.
se eu quisesse viver de aprovações, não faria nada que faço de coração.
então não faria sentido viver.
o preço da felicidade se chama risco.
e a gente só perde felicidade quando tem medo de ser feliz.
quantos de nós chegam ao ponto de simplesmente não querer mais nada?
a resposta mora em sorrisos, aqueles fortes o bastante para vencer todas as lágrimas já derramadas pelo mesmo motivo.
