- Não desperdice suas lágrimas. Lágrimas custam caro!
- Então cada um derrama o quanto pode pagar...
eu me deito ao teu lado com a cama vazia. já passou das três e nenhum sinal de vida. tudo que recebo é merecido, eu sei. é como preparar a armadilha pro próprio dono dela. mas você há de convir que cada capricho meu deseja mais chamar tua atenção do que te castigar. meu coração é mole, sempre foi e sempre será. ao contrário do teu, que tanto me ensina e se frustra, sem sucesso. existem manhas que eu não quero aprender. 'Você não pode confiar em ninguém', dizem. se é pra viver desconfiada de todos só pra evitar a dor da decepção, ainda prefiro aprender pelo caminho mais longo. patético, você diz.
antes de dormir eu choro agarrada ao travesseiro e enfrento o mundo ao acordar. consolo as amigas abusando dos clichês mais cretinos: 'não chore, tudo vai ficar bem, você merece coisa melhor, você dará a volta por cima...'. eu acredito numa fé que muitos fazem pouco caso, mas qual sentido teria a fé se já tivéssemos certeza de absolutamente tudo? cada pranto teu, contido, escondido e envergonhado, se contrasta do meu, tão exagerado e sentido.
e nos vendo assim, tão diferentes, me pergunto que função teríamos um ao outro, se não entendo tua dor tampouco ela me entende.
e ao lembrar do seu semblante ao acordar, do outro ou no mesmo lado da cama que eu, presto atenção na verdade mais assombrosa que se aplica a nós: não é preciso entender, é preciso agradecer ao se sentir, e posso falar por mim ao dizer que, mais do que te amo, te preciso, te sinto!
