love kills?

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sobre os meus últimos dias,


eu venho pedindo vodca porque água não faz a cabeça e sangue é muito difícil de limpar depois. pode até parecer que eu estou bem e que meu batom está perfeitamente alinhado (apesar do horário e das doses que já virei), mas por favor entenda que ainda estou de luto por nós. só não sei demonstrar. aliás, demonstro do meu jeito, em que está explicado o desastre.

é bem verdade que não preciso de você sempre que acordo, mas preciso todas as noites ao me deitar, mesmo que uma outra pessoa esteja se despindo no outro lado da cama. veja o ponto em que cheguei, escutando pagode escondido e lutando contra um choro mais ridículo do que essas letras (choradas).

andei tentando parar de fumar, mas Deus deve saber o quanto é difícil resistir ao vício acompanhada de tanta cerveja gelada. e sabe, também não é fácil dizer a mim mesma 'eu não vou ligar' e obedecer ao comando... juro que tento esquecer essa falta, esse vazio, esse VÁCUO dentro de mim carregando na maquiagem pra disfarçar olheiras e saindo noite após noite, fingindo sorrisos tanto quanto certas profissionais fingem orgasmos. é, sou digna de pena, admito, mas por favor, não repita isso em hipótese alguma. e se alguém te contar, finja surpresa.

caso me veja num barzinho, acene feliz mas não se aproxime da mesa, não pergunte como ando tampouco me ligue perguntando algo banal. me deixa curtir essa dor como se fosse minha própria comédia romântica (que ninguém assiste). me deixa aprender quanto tempo dura um choro, mesmo que se estenda e eu bata meu próprio recorde todos os dias.

me deixa ver até onde eu suporto a pressão, pois você me ensinou que quanto mais eu me conheço, menos ando parecida comigo mesma. ando patética, ansiosa, comendo de menos e bebendo de mais. ando substituindo seus beijos por ilusões sem graça. e agradeço à você, por permitir que eu vença essa luta sozinha, pois se não fosse assim não aprenderia jamais. e o mais triste é que tenho consciência disso ao invés de fazer o que qualquer outra faria, te fazendo de vilão da história só pra sentir pena de mim mesma.. quem diria, eu cresci!

e aqui estou eu, mais uma noite na frente do mesmo computador, digitando as mesmas coisas que deveria te dizer e nunca digo, mais por necessidade do que por orgulho, acredite. quem sofre não admite, a aceitação é sempre o último passo, o mais distante e impossível. pra eu chegar até lá ainda terei de subir muitos degraus bêbada e descalça, sonhando com a hora em que você abre a porta e diz 'vamos passar por cima disso'.


out/2010