destino, poesia, boemia, mente aberta, cultura punk & skinhead, paixão pelo SPFC e ódio à flor da pele...
love kills?
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
entrelinha
foi você quem disse um dia que no final seria só você e eu
confesso que nunca acreditei nisso (como agora)
te amaldiçoo em silêncio cada vez que te esbarro
e você me diz adeus com sorriso sarcástico
como se todo fim dissesse apenas 'até logo'
os nossos dias lembram cheiro de couro molhado e bebida barata
dança na chuva, e algumas cenas fingidas
promessas espalhadas pelo ar
com um SIM dizendo NÃO
aquele último olhar de desprezo me machucou por tantos anos
nunca consegui te dizer o que me bloqueia a todo segundo
e agora com sabor de vitória, eu te derrubo com uma simples verdade
nunca quis dar os braços a torcer
e no fundo os dois se quebraram sozinhos
o amor foi paralelo, eu sei
vivemos em épocas diferentes, congelados em teatro
usei tantas máscaras pra ser diferente da única que você sempre usou
e no final todos nos achavam iguais
eu quis tirar do seu rosto a melancolia
e você com a brutalidade lapidada foi a pessoa mais doce do mundo
e todos falam que era uma relação doentia
que por fim descobri ser a chave de tudo
você me apostou alto, e veja só, ganhou!
meus parabéns pelo triste fim
o nosso final tem o mesmo sabor do começo
'tanto faz', eu digo
e lá das profundezas você reaparece
para me fazer rir de mim mesma
escrever seu nome pela centésima vez num caderninho antigo
que um dia alguém jogará fora sem saber
e o tempo passou, olhe só para nós
dois maníacos
que não acreditam nos sentimentos
ou os ignoram inteligentemente,
por saber que só eles podem vencer
um brinde à bela vida que levaremos longe um do outro
tentando em vão provar que o amor nunca existiu
tentando apagar do tempo o desastre que nos põe lado a lado
- todo santo dia
que de santo não tem nada
fará diferença?
mesmo sem querer
me deito contigo sem saber
é você quem vejo quando fecho os olhos
(não preciso nem dizer que esse leva teu nome)
