à margem de um sentimento fulgaz
tão escroto, como você diz
permanecemos a postos
você como sempre me fuzilando com o olhar
e dominando na cama, mesmo quando está apenas dormindo
um tic tac enjoativo como remédios abortivos
pairam no ar como a figura insana de uma santa num altar qualquer
debulhada sobre os lençóis de uma atração que termina
sem nome
e termina insone
e termina sem sequer acabar
em algum canto desse castelo empoeirado
ainda existe aquele calabouço
e nossos brinquedinhos solitários continuam intactos
tão vazios quanto esse quarto sem você aqui
seu amor se resume à torturas medievais
e eu sempre peço mais
a mesma santa que eu rezo se ajoelha dessa vez para mim
e me implora que volte a ser a garotinha inocente de antes
mas eu me vejo de costas
tomando algo que me faz sentir sono
só pra você retornar aos meus sonhos
e pra insônia parar de matar aos poucos
