love kills?

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

só mais uma do cotidiano



é, rapaz... a decoração diz muito sobre teu desapego. no quarto, passado e futuro dançam num piso escorregadio, perigoso. seu ar é sempre tão denso, pesado, carregado de despudores e porres incontáveis. você não faz parte do mundo perfeito em que um eu te amo salva vidas. na verdade, você os afoga antes que te levem pra debaixo d'gua.
e lá está seu sorriso perdido entre tantos outros. desejos paralelos, abraços curtos, pérolas de mentira. você está cercado de futilidade e atrações mútuas, simultâneas. seu mundo é feito por uma descoberta a cada dia. nada te prende no mesmo lugar.
mas existe uma garota esquisita no seu pensamento. ela parece imperfeita demais para uma vida normal. não, por mais que queira você não é capaz de amedontrá-la ou feri-la. ela te traz incertezas e paz na medida indesejada, o ponto certo.
de repente todos os seus problemas se acumulam aos sete ventos, pedágios avançados que você não pode e não quer pagar. existe um barulho incomodante de papel sendo riscado. são os poemas dela, dedicados a você. um perfume que passa por um ar que você ainda não respirou.
você passou tantos anos sendo a pessoa mais forte do mundo, mas quando vê aquela garota frágil, treme na base. ela te faz querer fugir pra outra dimensão, pra não fazê-lo mais se sentir com oito anos a menos.
você, seus olhos claros cor de asfalto, sua presunção em adivinhar próximos passos e uma necessidade de ir embora, mudar de vida. assassino das próprias mágoas, fúria em pessoa.
se pega de repente numa noitada número mil, e sem querer esbarra naquela mesma garota atrapalhada, ela sorri e te fala de amor com confusão. não, não quer dizer que ela te ama. ela nem sequer retribui teus abraços. ela só deseja te agradecer por ter sido tão distante, o que a fez enxergar que ela precisa somente dela e nada mais.
sem querer foi a pegadinha do dia. ela não tem absolutamente nada que a prenda ao mundo, quem dirá à ti! suas pegadas não tocam o chão, o vento não permite. ela esboça seis sentidos que você nunca entenderá.
são dois solitários no mesmo caminho. o seu é de reto e cercado de vidro. o dela é largo, sem paredes, cheio de escolhas. você é preso a si mesmo e deseja ser livre. ela é livre e quer se prender. do lado de fora os anjos quebram suas cabeças para os juntarem mais uma vez. mas vocês estão distantes demais. sempre distantes demais. ela é ar, você é terra. você bate e fica, ela te leva sem te tirar do lugar. até que ponto se misturam na medida certa?