love kills?

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ar


eu queria poder te respirar
aspirar como uma carreirinha bem bolada
e com um beijo calar todas nossas verdades detestáveis

mas ainda prefiro essa distância charmosa
que me permite pensar em você vez ou outra
involuntariamente
do que continuarmos juntos
e nos cansarmos juntos
da rotina cruel a qual os apaixonados tem como sentença

e se eu te ligar em momento de fraqueza
me torture e não atenda
não deixe que me aproxime
finja que não existo
me deixe sozinha em qualquer balcão,
em qualquer bar,
confundindo comprimido de tarja preta com a solução

não responda qualquer mensagem com ar de embriagada,
esqueça que existiram manhãs de sol deitados na varanda
roupas jogadas pelo chão
telefone tocando, sem ninguém atender
esqueça das desculpas esfarrapadas
e das brigas sem sentido
que tinham gosto de amor ao acordar

lembre-se apenas do dia do fim
desconhecidos que não se suportavam mais
apagando da mente o que já foi tão bom
que chegaria a ser pecado que terminasse
o pecado nasceu e morreu como nós dois.