destino, poesia, boemia, mente aberta, cultura punk & skinhead, paixão pelo SPFC e ódio à flor da pele...
love kills?
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sábado, 7 de maio de 2011
dedicatória
as cartas de ponta queimada entenderiam...
sabe aquela coragem de correr atrás de alguém no ritmo de 'tudo ou nada' que só chega após os últimos goles? era ela que me inspirava ao te xingar quase diariamente. eu, que me apaixonava e desencantava na mesma semana, me vi em sua porta empurrando o passado pra receber o futuro com pressa.
eu não conhecia o desespero até te conhecer.
parece que foi ontem, mas o tempo é malandro. aqueles anos tão bonitos se foram sem sequer conhecer a sobriedade. eu já te pedi perdão por falar demais e hoje, veja só, meu silêncio se desculpa por não mais conseguir se abrir.
os mesmos
é fato que tua forma mundana de viver ainda transpira e respinga em mim. Anthology - Ramones no último volume, estrelas contadas de uma calçada sem nome e abraços que substituem jacos. sim, ainda sou a mesma garota de temperamento duvidoso. você continua sendo o melhor exemplo de mau exemplo que já tive. aprendi contigo a ter peito pra demonstrar meu descontrole com sinceridade, e a ser mais forte do que a necessidade de parecer forte.
é como dizem, dois bicudos não se bicam. nos tornamos peças de um eterno desafio: tua maturidade medindo força com meu pior lado.
perdemos tanto tempo numa guerra que já começou com dois inimigos derrotados.
dedicatória
mas é bem verdade que nossos tropeços nos renderam boas opções. sabes que penso que nada é por acaso, e assim, passei a diferenciar gostar de amar.
pessoas perfeitas não me interessam, nunca interessaram. venho desviado delas por anos a fio. esse futuro estrategicamente conspirado pelos outros não me encanta. eles são todos iguais, gastam saúde pra ganhar dinheiro e depois gastam dinheiro pra recuperar a saúde. todos envolvidos nas mesmas fofoquinhas e jogos de sedução. você foi uma das poucas exceções e por isso cheguei até a pensar que algumas ilusões eram encostos para te afastar. mas hoje entendo: você nunca foi o meu destino.
pessoas diferentes se estranham, mas as muito parecidas se repetem, e não nascemos pra sermos meras sombras de cartas marcadas. te agradeço por cada escândalo, gargalhada e crise de choro que deixaram marcas dessas gostosas de se lembrar. por cada cigarro acendido pra conter um coro de palavrões e pneus furados. foram esses detalhes que nos elevaram ao grau máximo em que poderíamos chegar: sorrir e dar as costas. é o melhor que dedico a ti.
redenção
por muito tempo te fiz engolir verdades, lhe apontei o dedo na cara e disparei teus desastres um por um. logo eu, que sempre retruquei teus shows bizarros, hoje posso entender cada um deles como a chance perfeita para aceitar aquele final.
hoje sou eu que me redimo. chegou minha vez de acenar para a verdadeira partida. o duelo de egos só serviu para chegar a este exato momento: conhecer a mim mesma ao descobrir que o meu eu nada tinha a ver com o teu.
no meio de nossas confusões nasceram os reais golpes do Destino. já senti cada palavra dura tua como uma surra e tuas desculpas como um sopro pós mordida, e agora que crescemos o suficiente pra repetir as mesmas cenas com outras pessoas, tenho de dizer o que nunca tivemos coragem: aceito o fato, nós éramos apenas duas crianças perdidas. e as cartas só servirão para dar vez às novas lembranças. e o que era tão difícil, se tornou um simples alívio.
