- Ele não sabia dar um fim, eu não sabia dizer 'Não'.
Logo, o que nos unia, passou a nos separar. Ou seria vice e versa?
a mágoa é a raiva triste
e por que eu perderia noites de sono ou farra pra resgatar palavras que só escutamos de quem não nos merece de fato, se perdi boa parte de minhas melhores qualidades ao buscar (por você) uma perfeição que nem sequer acredito que existe?
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- lembra como eu era boba e absurdamente feliz?
- sim, nós duas éramos!
- mas porque só você consegue continuar assim?
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seria o ego pai da solidão?
- Vocês se acham mesmo muito espertos, competindo entre si num ringue em que ninguém sai vivo no final...
É fácil olhar pra trás e enumerar os sacrifícios que fazem por outra pessoa como se não tivessem feito por vontade própria. Um dia a ficha cai e cada um reconhece o que fez de certo ou errado, e assim a tortura se finaliza quando automaticamente se inicia outra.
eu, que sempre acreditei no poder da sinceridade e de falar tudo que anda engasgado (nem que seja só pra ter certeza de que no fundo não era nada daquilo) e de cantarolar 'te trago mil rosas roubadas', me vi telespectadora de erros e promessas que após as crises, fazem brotar simples gargalhadas. é que mesmo a raiva me alegra mais cedo ou mais tarde. me faz sentir humana e ridícula. talvez eu não precise aprender sobre sentimentos porque pra mim, basta senti-los. o resto é consequência. e quanto mais me dizem 'Se abra', mais me fecho. é o preço que pago e na boa, ainda valer a pena ser assim.
sem resposta
- você se foi e eu fiquei
- aprenda a dar valor às pessoas que gosta e nunca mais passará por isso...
- pra você é fácil dizer adeus como se fosse a vítima da história.. logo você, que nunca fez esforço nenhum por nós!
- mas eu não te pedi anel de compromisso ou juras de amor eterno, o que eu precisava e não tive foi o básico: respeito, consideração e atenção. de que me vale presentes e papo furado vindos de alguém que não me acha importante de verdade?
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universo particular
é quando algumas cenas do cotidiano se transferem a qualquer lembrança tua, e mesmo sem querer me alimento de ti em sonhos, cigarros e copos que se esvaziam ao passar da noite. corpos que se pertencem mesmo não estando lado a lado. surpresas delicadas que fazem da felicidade uma armadilha contra a rotina. meu amor, se o que importa de verdade é invisível e ninguém mais tem acesso, por que eu ligaria pra opinião de terceiros se nunca fez meu tipo pedir permissão a ninguém? se eu já te quis mais do que qualquer outra coisa, porque você foi a peça-chave para se montar aquele universo particular, ambiente somente nosso e sem vergonha de ser como é.
fevereiro
o bonito da vida são as pessoas que vem e vão, seja em seus conteúdos inúteis ou ricos em amor que não se explica.
- amor? me desculpe, mas eu não acredito nisso...
- uau, essa foi a coisa mais inteligente que você já me disse...
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por que eu lutaria?
confesso que sempre dei adeus com sorriso de alívio, não por maldade, mas por malcriação. sabes muito bem que não sou do tipo de pessoa que senta e chora, então nos poupe de embaraços e se houver algo a ser dito, que seja de uma só vez.
por que eu daria o melhor de mim em vão logo agora, se minha intuição é carrasca e não me permite ir além pelo que no fundo, não deveria ter nem meu lado mais cretino? mas te direi o por quê (mesmo ele sendo o vilão da história), por mais que te deteste boa parte do tempo, existe uma forte sensação que me liga a você. porque eu lutaria contra ou a favor pelo que o próprio tempo deveria se encarregar?
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