não é caretice, é coragem de abrir os olhos
qualquer um pode olhar em volta e perceber. tudo continua exatamente igual, e cansativo.
os joguinhos mudam de nível, as cantadas mudam de tom e os decotes mudam de cor, mas na essência são todos os mesmos.
tudo igual.
mesas, pistas e praças lotadas com os mesmos exageros e exibições.
egos em forma de gente.
inconsequencia, mentiras, excessos e futilidades, em músculos perfeitos que numa noite valem mais do que um caráter exemplar pela vida inteira.
futuro sendo queimado vivo pela chama da vaidade.
quem observa tudo com sorriso de canto é a sensação bandida de que quando se é jovem, tudo sempre dá certo no final.
eu aprendi que na prática não dá, e ainda sim continuei.
relutei em deixar de fazer parte por não saber se teria condições em viver de outra maneira.
o suficiente
uma noite observando a festa por fora e pude finalmente compreender: meu lugar é longe daqui, das turmas em que as loucuras corriqueiras se escondem pelo véu da embriaguez.
hoje é fácil perceber o que se confundiu pelo caminho todos esses anos:
os pequenos prazeres são consumidos rapidamente e nunca saciam ninguém.
o que vale a pena preenche e não se desgasta com o tempo.
