love kills?

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

as crias


parte um
eu peço vodca porque não tenho peito de encarar a cachaça. mas nunca tive medo de bar. nem de botar pra fora o que já nem entrava mais, nem da ressaca do dia seguinte, da boca seca, do estômago revirado, do analgésico que nunca funciona. as ruas andam em preto e branco ultimamente. jogo um casaco grosso por cima e ando fumando, fazendo fumaça cinza no preto e branco do ar. ninguém me vê. ou será que sou eu que não vejo ninguém?
parte dois
inútil feito relógio parado, todo mundo se sente assim alguma vez na vida. tem dias que me sinto pagando pecados que já foram pagos. e sei que foi escolha própria enxergar o mundo feito borrão só pra fugir das responsabilidades de quem tem que andar de olhar atento. sim, são erros meus, somente meus, são minhas crias, que nunca abandonei! erros são tatuagens que poucos podem interpretar. e que fique claro, não fiz pra ninguém julgar se gosta ou não.
parte três
reparei numa mancha de vinho em uma roupa que uso sempre. várias lavagens, nunca saiu. e como raios deixei chegar a esse ponto sem perceber??? é exatamente assim que me sentia quando olhava pro espelho e via a cara borrada, bafo de cachaça e risadas vindas da sala. eu estava ali, ao menos meu corpo estava, meio danificado é claro, mas o coração não. o coração é o órgão mais fujão do meu corpo, se escondeu a vida inteira pra não correr o risco de eu entregá-lo a qualquer um. diga-se de passagem, fez um ótimo trabalho.