love kills?

love kills?

Pesquisar

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

borrões


é que cair é uma arte que eu domino muito bem. ralo o joelho e dou risada da cicatriz, até o passar do tempo me fazer esquecê-la. é que um dia vou olhar pra todas elas e distribuir os mesmos sorrisos que dei anos atrás. essa é a verdadeira beleza que aprecio.
é que as belezas extraordinárias nunca me interessaram... barrigas de tanquinho, sorrisos perfeitamente brancos, longos cabelos louros e lisos, músculos perfeitamente alinhados, olhos azuis e medidas masculinas que agradam revistas gays e ratos de academia, à mim não...
eu gosto mesmo é daquele ar cansado de quem virou a noite na boemia. eu gosto é das belezas bizarras, cabeças raspadas, coturnos gastos, tatuagens estranhas, olheiras que falam por si só... e claro, cicatrizes dessas que coleciono...
existem pessoas que subornam o espelho pra não chorar diante deles. sorte delas que espelhos não mostram a parte de dentro!
elas são borrões 'bonitos' dessa sociedade que vende a alma pra mostrar uma perfeição que um dia o tempo tira e não há como lutar contra. corpo, corpo, corpo, é só disso que falam, é só isso que mostram. 
ninguém conhece ninguém, não sentem absolutamente nada e nem mostram a que veio. apenas o que compram e o que tentam ser. eles são borrões dos quais orgulhosamente, tenho alegria em não fazer parte.
se a tal beleza admirada é baseada nos mais 'belos' que vemos por aí, agradeço aos céus por ser feia, muito feia. sou apenas um borrão de mim mesma, e não inspirada nos outros.