love kills?

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Marmita


gostar de você é como afiar uma faca e molhar a ponta no mel
depois saborear cada ferida que ela me proporciona

quando você me olha é como se me tocasse com violência
aprecio sua intenção e diante disso,
tentei aprender o que apenas as meretrizes sabem
sorrindo sem dor e guardando o rancor pro jantar com as amigas

não se engane com meus recados subliminares
nem com as frases que deixo rolar pelo ar
não perca seu tempo imaginando que sofro
pois sua ausência para mim, é um alívio e nada mais

eu gosto daquilo que você era antes
um doce torpedo que me devorava com doçura
e se ele voltar, por favor me avise
será de grande prazer dizer NÃO aos dois

depois de um certo tempo sua máscara caiu
a minha, por sua vez, sempre esteve ao chão
nenhuma opção me restava, a não ser deixá-lo lá

não me odeie, me agradeça!
pois com ninguém permiti chegar ao ponto em que chegamos
numa relação que começa quente e termina no Ártico

querendo ou não você me ensinou
abusando da didática que só se aplica aos fracos
que romance nenhum sobrevive ao dia a dia
e os que sobrevivem na verdade apenas se aturam
me agradeça por não nos deixar passar por isso

amar por conveniência, marmita de meia noite
amores que azedam e são digeridos do mesmo jeito..
salvei nossa história

alimente sua raiva e seu dissabor por mim
com a mesma sabedoria que um dia me encantou
e me fez despertar ao seu lado

o cupido nos deu as costas e fez sinal obsceno
é o que nos restou

não é que eu não queira mais amar
só não quero mais do seu amor

(11/10)